Por: Simone Mattos
De autoria do poeta maranhense Catulo da Paixão Cearense, o texto de Um Boêmio no Céu, escrito em 1945, é a grande novidade para a montagem da peça estrelada pelos atores José Mayer e Antônio Pedro. Sem nunca ter sido encenada, a obra narra em versos, a chegada de um trovador boêmio (Mayer) ao céu e o seu encontro com São Pedro (Pedro) e Santo Onofre (Aramis Trindade). Mesmo com longa duração, a montagem conquista o público com diálogos que evocam um Brasil ingênuo e regionalista.
Sob a direção de Amir Haddad, o espetáculo concentra toda a ação na frente do palco, ocupando as áreas restantes com uma espécie de coreto, onde fica um trio de músicos (violão de sete cordas, cavaquinho e clarinete) e um balanço para o anjo que tudo observa (Kátia Brito).
Sem qualquer dificuldade, os atores dão conta dos tipos bem caricatos da encenação. José Mayer surpreende com boa voz e afinação ao interpretar canções, como o clássico Luar do Sertão. Um Boêmio no Céu tem charme e ganha pontos ao despertar na platéia o saudosismo de tempos românticos, de bandeirinhas juninas e de praças de interior.
Catulo, autor da obra, morreu aos 83 anos, no dia 10 de maio de 1946, em Curitiba. Seu corpo foi embalsamado e exposto a visitação pública até dia 13 de maio, quando desceu a sepultura no Cemitério São Francisco de Paula, ao som de Luar do Sertão. Ele deixou inúmeras obras, entre elas a canção Luar do Sertão.
Um Boêmio no Céu (90min). 12 anos. Estreou em 17/8/2007. Teatro Villa-Lobos (465 lugares). Avenida Princesa Isabel, 440, Copacabana, 2275-6695. Quinta a sábado, 21h; domingo, 20h. R$ 30,00 e R$ 40,00 (sáb.). Bilheteria: 15h/21h (qui. a dom.). IC. Até 30 de setembro.
terça-feira, 28 de agosto de 2007
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