Em entrevista após o lançamento da campanha do Dia Mundial de LutaContra a Aids 2007, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, voltoua demonstrar preocupação com os casos de aborto entre jovens. Segundo o ministro, este é um assunto a ser tratado como uma política públicade saúde. Temporão afirmou que cerca de dez por cento das jovens que engravidam acabam interrompendo a gravidez e muitas delas o fazem sem os mínimos cuidados e atenção médica. Ele citou dados da pesquisa divulgada pelo Banco Mundial, que diz que 68 mil mulheres morrem anualmente em decorrência de abortos mal realizados.
O aborto, com riscos reduzidos, no Brasil só funcionada para as mulheres que podem pagar por uma clínica, onde o preço varia de 600 a três mil reais. Mas infelizmente essa não é a realidade da maioria das meninas e mulheres que tem uma gravidez indesejada. As mais pobres recorrem principalmente à famosa saída, utilizada com freqüência em países que proíbem à mulher o direito de escolher ter ou não um filho, que é citotec.
O citotec é um remédio para úlcera, mas possui efeito abortivo. O medicamento custa aproximadamente 100 reais no mercado negro farmacêutico, mas nem sempre ele faz o efeito esperado. Em alguns casos, o aborto acaba deixando restos fetais, necessitando fazer uma curetagem, ou simplesmente o bebê continua sendo formado, mas com alguma deficiência. E atualmente, as mulheres que recorrem ao medicamento estão sujeitas a cair na máfia das falsificações.
Para garantir mais segurança a mulher que deseja interromper uma gravidez, muitos países com indicies de desenvolvimento humano disparadamente superiores ao do Brasil, como: Itália, Áustria, França e Holanda, já garantem o direito de se fazer um aborto legal. Mas para isso, existem regras e elas são devidamente respeitadas. A interrupção da gravidez, feita até um mês e meio de gestação, não causa dor ao feto como muitos imaginam. O motivo é por que os receptores da dor só surgem na pele a partir da sétima semana.
É inegável que a mulher possui o direito de decidir as questões do seu corpo. Em alguns lugares isso é respeitado e em outros, com uma cultura machista enrraizada e atrasados em relação a informações, ainda não. Aqueles que não concordam com o aborto, que não o façam, mas é um crime querer tiram das outras pessoas o direito de interromper uma gravidez com segurança.
O grande absurdo, não é realizar um aborto consciente, e sim tirar da mulher o direito de ser uma cidadã com direitos iguais a todos os outros da sociedade. Atraso, machismo e discriminação são aspectos de uma sociedade arcaica que quer calar as mulheres e colocar seus direitos abaixo do dos homens. É bem provável que se o homem que ficasse grávido, o aborto já tivesse sido legalizado.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
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