terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Uma questão de responsabilidade

Por Bruno Batista

A vida é feita de escolhas e de decisões. O tempo todo temos que decidir coisas de menor importância e algumas vezes coisas de grande relevância; escolhas que mudarão o futuro ou até mesmo o presente. Seres humanos podem decidir, têm o dom do discernimento.

Quando criança, já somos obrigados a tomar decisões e conforme os anos vão se passando estas escolhas ficam cada vez mais cruciais no desenrolar de toda uma vida. Portanto, se decidimos comprar um carro e não uma moto, se optamos por viajar de ônibus e não de avião, e se atualmente é normal até escolhermos nossa orientação sexual, porque não poder decidir entre gerar uma vida ou não?

Se toda ação gera uma reação, ou seja, toda atitude tem uma conseqüência para quem a praticou, então é de responsabilidade única do indivíduo as conseqüências da realização de um aborto.

Obviamente, que é sempre mais prudente e até mesmo mais correto prevenir a gravidez. Existem inúmeros métodos anticoncepcionais para que não ocorra uma gravidez indesejada e estes são cada vez mais divulgados e acessíveis. No entanto, em muitos casos estes métodos falham, ou não são usados, e a natureza faz a sua parte.

Acontece que atualmente ter um filho não é simplesmente gerar uma criança. Ser mãe é assumir uma grande responsabilidade e devido a uma série de falhas no sistema governamental, principalmente dos países de terceiro mundo como o Brasil, muitas mulheres engravidam ainda na adolescência, geralmente sem ter estrutura familiar e social para dar ao filho aquilo que ele precisa.

A conseqüência do nascimento indesejado de uma criança em um ambiente desfavorável, tanto econômica quanto psicologicamente, pode ser constatada nos altos índices de violência e na crescente favelização dos países pobres.

No entanto, o principal argumento em defesa da legalização do aborto talvez seja a melhora do atendimento às mulheres que desejam ter a sua gestação interrompida. Como esta prática é proibida, os lugares que realizam o procedimento são clandestinos e na maioria das vezes não possuem equipamentos, nem pessoal especializado para qualquer emergência que ocorra, daí o grande número de mulheres que morrem ou ficam com seqüelas ao realizarem um aborto. Tornando-se legal a prática do aborto, as clínicas e hospitais teriam que oferecer condições adequadas, pois estariam sujeitas a uma fiscalização mais efetiva.

Portanto, cabe à sociedade refletir a respeito de valores religiosos e morais arcaicos que insistem em apenas piorar o quadro caótico dos países pobres, que não oferecem a mínima estrutura social para as suas crianças. Fazer um aborto não é tirar uma vida, é apenas decidir sobre a responsabilidade, ou não, de gerar e dar a luz a uma criança naquele momento.

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